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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Preto no Branco - São Carlos : Balanço geral da imersão e coisas para o futuro

Em síntese, e como eu já havia dito no outro texto, o fim de semana de imersão abriu os horizontes de todos os integrantes do grupo. Ou, como o Cruz, o nosso diretor, sempre diz, a imersão e a orientação do Projeto Ademar Guerra "acenderam a luz do quarto".

O domingo foi reservado à retrospectiva do processo de montagem de nossa peça "Isabela, a astróloga de araque", que tem inspiração na commedia dell'arte. A partir das 9h30, na tão querida Sala de Atividades Corporais do Sesc São Carlos, resgatamos, através de bate-papo e ensaio minucioso, cada detalhe envolvido nesses quase doze meses de trabalho: pesquisas, substituições de atores, figurino, música, coreografia, interpretação etc. Isso nos fez visualizar o tanto que nos empenhamos até começarmos as apresentações da peça. Aliás, todo o trabalho que tivemos nos fez identificar os obstáculos que se apresentam às montagens do teatro amador e quais são os meios de contorná-los, além de a peça também nos ter feito ver quais são as condições mínimas para que o teatro aconteça, tais como, entre outros, espaço para ensaios e conciliação de horários dos participantes. Contudo, ao invés de desanimar, a identificação das barreiras ao teatro e das carências do grupo nos injetam ânimo para continuarmos.

Tivemos um público pequeno, mas de peso, na atividade aberta de segunda-feira, que ocorreu novamente no Sesc. Entre as pessoas que nos assistiram, estavam: Ângelo Bonicelli, ator amador desde a década de 1950 e diretor do Teatro Municipal de São Carlos de 1965 a meados de 1980; Getúlio Alho, diretor, ator e dramaturgo radicado na cidade há mais ou menos 20 anos, e Dagoberto Rebucci, ex-professor da rede estadual de ensino e um dos encenadores mais respeitados do movimento de teatro amador ocorrido aqui nas décadas de 1960 e 70. A presença dos três foi extremamente significativa para nós, haja vista o apurado senso crítico e grandevivência que eles têm e tão generosamente compartem conosco com regularidade. Além deles, também fazia parte do público alguns estudantes, amigos e freqüentadores do Sesc. Então, mostramos as cenas que tínhamos programado: "Prólogo", "Isabela, Capitão e Princesa Halim Al Chinfrim", "Cena dos Enamorados" e "Cena Final". Após a apresentação de cada cena, o público era convidado a expor sua opinião sobre o que vira. Para nossa surpresa, as opiniões vieram abundantes, e algumas delas, como o estranhamento causado por nossa não utilização de máscaras ou maquiagens características dos personagens da commedia dell'arte, servirão para ajustes futuros na montagem e na pesquisa do grupo.

Um pouco cansados, assim como grande parte dos colegas que participaram da imersão em suas respectivas cidades, saímos da imersão satisfeitos com os resultados, porém querendo alçar vôos mais altos, tendo como asas o Projeto Ademar Guerra, ora, como não? E fazendo um gancho com essa história de cansaço e tudo mais, me lembrei da leitura que fizemos do Brecht. Ele disse uma vez que "Nada do que fazemos representa um esforço aprazível, e, para justificarmos os nossos atos, não invocamos o que gozamos com isto ou com aquilo, mas, sim, quanto suor nos custou". Mas que orgulho nos dá esse suor.

Renato Capella
Ator do Preto no Branco 

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